Palestra na Jump Education

Na semana passada fiz uma apresentação dos casos de sucesso em mídia social da Trama Comunicação. Minha participação ilustrou os conceitos sobre Relações públicas 2.0  apresentados antes pela consultora em web Cátia Lassalvia.  Depois almoçamos com os principais executivos da Jump Education e a informação que tive é que a crise econômico tem levado muitos alunos para a instituição. São dois públicos principais: o primeiro de agências de publicidade off line e o outro das pessoas desempregadas que estão procurando se capacitar para entrar no mercado de trabalho.

No caso das agências de publicidade, não é muita novidade que as tradicionais que perderam as grandes receitas e lucros gerados a partir de anúncios tradicionais, estão tendo que rebolar. O que corre todo mercado, apesar de não existirem ainda dados ou casos concretos, é que as maiores empresas reduziram a verba total de publicidade e aumentaram o percentual a ser destinado à web. Então só restou aos profissionais correram atrás de capacitação para lidar com essa nova realidade. O principal desafio é encontrar metodologias e métricas para mensurar resultados de ações em mídias sociais.

Com tudo isso, acredito que o mercado tende a se profissionalizar ainda mais. Mas a briga vai ser feia entre as agências de relações públicas, marketing, publicidade e de web. Como trabalhar com mídia social e web, como afirmei no meu post anterior,  pressupões conhecer um pouco sobre cada uma dessas áreas e ir um pouco além, todos estão disputando quem vai abocanhar esse orçamento. Não sou a favor da briga, embora sempre puxe a sardinha para o lado das relações públicas. Creio que o que a gente precisa é unir esforços para combinar a multidisciplinaridade que essas iniciativas exigem. Mas como tenho um pé atrás com muitos profissionais de publicidade, acho difícil que isso aconteça como deveria.

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Blogueiros têm que se profissionalizar?

Uma dos pontos polêmicos durante a palestra sobre publicidade nas mídias sociais na Campus Party foi a necessidade da profissionalização dos blogueiros. Marcelo Trípoli (iThink) comparou o trabalho de relacionamento com mídias sociais ao da assessoria de imprensa. “Nenhuma assessoria séria promete que o cliente sairá na capa da Veja. O trabalho com mídia social não é diferente. Criamos alguns indicadores de resultados, como audiência, tempo de conversão, etc, mas não podemos garantir que o resultado seja do jeito que o cliente espera”. Gustavo Fortes (Espalhe)

Lucas Mello, LiveAd, declarou: o “blogueiro não tem que ser profissional, mas a marca sim. Uma empresa tem que ser profissional o bastante para saber se o produto está maduro para o mercado ou se é preciso investir um pouco mais antes do lançamento. Tem que ser profissional para saber que os blogs podem falar bem ou mal dela.”

A minha opinião: o que garante o retorno dos blogs é justamente a espontaneidade desse espaço. O leitor de um blog acredita que uma pessoa comum está escrevendo a sua verdadeira opinião sobre o assunto. É isso que confere credibilidade e gera o boca-a-boca. As relações devem ser baseadas na informação e transparência. É uma realidade que os assessores de imprensa e relações públicas já vivenciam há muito tempo e os publicitários estão aprendendo a lidar.

Publicitários ainda não sabem como lidar com a mídia social

O blogueiro não é um jornalista, portanto desconhece algumas práticas e condutas da imprensa. Tampouco é um consumidor comum que possa ser convencido. O blogueiro é um formador de opinião e há técnicas específicas para o relacionamento com um formador de opinião. Por isso as agências de publicidade ainda estão se perdendo na abordagem desse público. A matéria de capa do caderno de Informática da Folha de São Paulo publicada nessa semana (26/03) comprova isso. 

“(…) a fim de estimular o boca-a-boca nas diversas mídias sociais, algumas empresas e agências de publicidade apelam para o que se chama de post pago -ação que gera polêmica no mundo dos blogs.
“Tem que existir um engajamento natural das pessoas. Se o anunciante quer um post opinativo, faça algo relevante para o blog e seu público, crie algo que gere reações espontâneas. Convide para um evento, envie produtos para testes, converse com o blogueiro. Se achar que vale, ele posta. O mais importante é que as partes saibam que não existe compromisso”, diz Carlos Merigo, do blog Brainstorm #9 (…)”
 

A área de assessoria de imprensa, acostumada a lidar com os jornalistas, também está experimentando e descobrindo a melhor maneira de fazer esse contato. E, assim como os publicitários, ainda tropeça. As agências de marketing digital entraram nessa seara, mas, muitas vezes, de uma forma agressiva, com foco no convencimento. 

O que não podemos esquecer é que a Internet é um novo meio, mas as teorias e técnicas são antigas. Ou seja, não podemos nos apropriar desse meio de forma irresponsável, sem entender o público e fazer um estudo da audiência e recepção, sem aproveitar todo o conhecimento sobre como estabelecer relacionamento com formadores de opinião.  O melhor caminho não é a publicidade nem os textos formais dos press releases. É muito mais que isso. É por isso que está se desenhando um novo perfil de profissional no mercado: o gestor de mídias sociais. Esse terá que conhecer um pouco de cada uma dessas áreas e integrá-las de maneira inteligente.
 

As novas regras da comunicação corporativa

Um dos melhores livros que li sobre como a internet está revolucionando a comunicação corporativa é de autoria do norte-americano David Meerman Scott: As novas Regras do Marketing e de Relações Públicas – como usar blogs, podcasting, marketing viral e mídia on-line para falar diretamente com seus clientes. O trabalho que o autor realizou para a produção e lançamento do livro já é um caso de sucesso, entre os inúmeros citados na obra. Primeiro Scott disponibilizou um ebook em seu blog. A partir dos comentários e sugestões, ele foi desenvolvendo seu texto. Vale a pena acompanhar o seu trabalho no www.webinknow.com, domínio do blog do autor.  É possível também baixar um pdf com um resumo dos tópicos abordados no livro. Uma ótima dica para os profissionais que desejam saber mais sobre a construção de reputação na internet.