Blogueiros têm que se profissionalizar?

Uma dos pontos polêmicos durante a palestra sobre publicidade nas mídias sociais na Campus Party foi a necessidade da profissionalização dos blogueiros. Marcelo Trípoli (iThink) comparou o trabalho de relacionamento com mídias sociais ao da assessoria de imprensa. “Nenhuma assessoria séria promete que o cliente sairá na capa da Veja. O trabalho com mídia social não é diferente. Criamos alguns indicadores de resultados, como audiência, tempo de conversão, etc, mas não podemos garantir que o resultado seja do jeito que o cliente espera”. Gustavo Fortes (Espalhe)

Lucas Mello, LiveAd, declarou: o “blogueiro não tem que ser profissional, mas a marca sim. Uma empresa tem que ser profissional o bastante para saber se o produto está maduro para o mercado ou se é preciso investir um pouco mais antes do lançamento. Tem que ser profissional para saber que os blogs podem falar bem ou mal dela.”

A minha opinião: o que garante o retorno dos blogs é justamente a espontaneidade desse espaço. O leitor de um blog acredita que uma pessoa comum está escrevendo a sua verdadeira opinião sobre o assunto. É isso que confere credibilidade e gera o boca-a-boca. As relações devem ser baseadas na informação e transparência. É uma realidade que os assessores de imprensa e relações públicas já vivenciam há muito tempo e os publicitários estão aprendendo a lidar.

Publicidade em mídias sociais

Postei esse texto ontem no blog da Trama e reproduzo aqui, no meu espaço:

Uma das discussões mais animadas de ontem no Campus Party foi sobre o uso das mídias sociais na publicidade. A maior dificuldade das agências hoje é pensar num modelo de negócios para uma mídia cujo retorno financeiro não é o mesmo. “Não existe uma receita fácil de lucro”, opinou Mentor Muniz Neto, da Bullet. Ele acrescentou que criar uma narrativa é fácil, o difícil é gerenciar a campanha quando existe um feedback negativo. “Quando isso acontece, os clientes mais tradicionais reagem mal e não querem mais repetir o investimento”.

Marcelo Trípoli, da iThink, também citou a falta da coragem das empresas brasileiras em aprovar o briefing depois que todos os riscos são colocados. “Antes de uma empresa entrar com mídia social tem que resolver primeiro seus problemas internos. Não adianta investir em ações desse tipo se a marca não tem cultura do dialogo, não tem uma política comercial transparente, não mantém uma comunicação direta básica por meio do SAC, ou seja, se a marca não ouve seu consumidor”, disse Trípoli.

Lucas Mello, da LiveAd acredita que tem muito mais cliente no Brasil disposto a investir em mídia social do que agências capacitadas a realizar um bom trabalho. Neto completou: “O nosso problema é que não fazemos ação pensando que pessoas podem falar mal. Estamos preparados para criar estratégia de sucesso. Precisamos saber que problemas não são acasos. Eles sempre vão existir e precisam estar previstos na estratégia”.
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Direto da Campus Party

Painel sobre publicidade em midias sociais era uma das mais animadas

Painel sobre publicidade em mídias sociais era uma das mais animadas

mais de quatro mil computadores num grande salão do Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo

Campus Party: mais de quatro mil computadores num grande salão do Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo

Ontem à tarde eu estive na segunda edição da Campus Party. É impressionante esse evento. Sabe a história de que a geração geek faz dez coisas ao mesmo tempo? O encontro, direcionado a esse público, é um exemplo real disso. São mais de quatro mil computadores, muitos deles “tunados”, e várias palestras realizadas simultaneamente num grande galpão do Centro de Convenções Imigrantes, em São Paulo. Enquanto assistem às palestras, muitos desenvolvem suas atividades de trabalho normalmente. Algumas vezes os sons se confundem, e todos estão lá se divertindo, trabalhando, dividindo conhecimento e aprendendo.

Acompanhei algumas palestras do “Campus Blog”, espaço dedicado a discussão colaboração como modelo de conhecimento na comunicação: “A construção da reputação, dos públicos e da moral blogueira”, “O uso de mídias sociais na publicidade” e “Mídias Sociais nas eleições”. As duas segundas atrairam muita gente. Vou gerar alguns posts específicos depois. Já publiquei alguma coisa no blog da Trama também.

Depois de assistir a esses três paineis, a conclusão que chego é que os profissionais que hoje lidam com mídia social, tanto na publicidade, marketing, relações públicas, ou seja, em qualquer área da comunicação ainda enfrentam o desafio de desenvolver um modelo de negócios apropriado. Outra questão importante é a árdua tarefa de convencer o cliente. Independentemente da área de atuação – indústria, serviços, governo, educação, ainda existe o receio receio de investir em uma mídia diferente e, de certa forma, incontrolável.

Abaixo, algumas fotos.

Eu já estive na primeira página do Google

Há cerca de um ano, quando inaugurei esse blog, estava no auge da empolgação com as possibilidades das ferramentas de comunicação na web 2.0. Participei de workshops na Jump Education, fiz um curso sobre otimização de sites no final de janeiro de 2008 e, em março, inscrevi-me para uma pós-graduação em comunicação hipermídia. Em meio a tudo isso, comecei a postar. Fiquei super feliz em compartilhar conhecimento. Naquela época, aparecia na primeira página do Google ao digitar o nome desse blog “Inteligência em Comunicação” ou então o meu próprio nome. Bom, o fato é que hoje, após quase um ano sem escrever nada – estou sem blogar desde maio de 2008 – não apareço mais por lá. Percorri várias páginas de resultados e nenhum mostrou o meu blog. Por motivos óbvios, claro. Sem conteúdo não tenho relevância no mecanismo de busca mais famoso do mundo. Bom, tudo isso para dizer: eu voltei e vou me esforçar para ter ao menos um post com conteúdo relevante por quinzena. Afinal, santo de casa também tem que fazer milagre!