Twittermania: o desafio de criar um twitter corporativo

Não é novidade que o Twitter virou mania. Com 6 milhões de usuários no mundo, a ferramenta de microblogs já é mais popular que o Facebook na rede brasileira. A matéria de capa da revista Época sobre o twitter, na edição do último 14 de março, traça um panorama do uso dessa ferramenta e inclui a opinião de vários personagens. Mas a grande discussão no mercado de comunicação corporativa é: quando e como criar um twitter corporativo?

Não adianta abrir um twitter institucional sem antes ter muito claro o que falar e com quem falar. Por experiência própria, quando o internauta faz o seu cadastro e começa a seguir muita gente começa a não prestar muita atenção nas discussões. São muitas opiniões para acompanhar e grande parte nem tem relevância em sua vida… Depois acaba afunilando um pouco, seleciona aqueles a quem quer seguir. Então aí está o ponto: abrir um canal com dados relevantes para o público-alvo.

O vídeo Twouble with Twitters ilustra de uma maneira muito divertida o que acontece na maioria das vezes nesse ambiente: são muitas pessoas falando para ninguém. Nós, aqui da Trama, também estamos vivendo essa fase. Além de alimentar o Twitter de alguns clientes, na Trama temos um twitter da agência para divulgar as novidades dos nossos clientes para a imprensa. Mas, na base da tentativa e erro ainda estamos tentando obter respostas para algumas questões como os jornalistas que estão cadastrados e já recebem tanta notícia das empresas estão lendo de fato? Será que essa não é uma ferramenta para atingir mais o público final? Assim como grande parte do mercado brasileiro, ainda estamos em fase de experimentação. Minha impressão é que antes de começar a direcionar tempo da equipe para a alimentação dessa ferramenta vale traçar um bom diagnóstico e desenvolver um projeto editorial. Diminui o risco de fazer bobagem, diminui as chances de investir dinheiro sem obter retorno. E profissionais de comunicação ainda são os profissionais mais habilitados para esse levantamento e um possível projeto editorial.

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Mensuração de resultados é um dos grandes benefícios de investir na internet

Uma das coisas que mais me encanta no meio online é a possibilidade de mensurar facilmente a audiência do conteúdo produzido, seja de um produto jornalístico, seja de um trabalho com apelo publicitário. Resolvi registrar esse comentário aqui após ouvir um depoimento do Rodrigo Afonso, repórter da Computerworld, sobre esse tema:

Não me conformo quando tenho apenas 200 acessos em uma matéria. Só fico feliz quando um texto que produzo chega a 15 mil leitores“.

Antes, os jornalistas ficavam muito acomodados. Agora esses profissionais têm muito rapidamente uma visão do resultado do seu trabalho e podem aprimorar cada vez mais o conteúdo produzido a fim de atender os interesses do seu leitor. O mercado publicitário acompanha o mesmo ritmo. O especialista em marketing de busca, Paulo Rodrigo Teixeira, comenta em seu blog sobre os investimentos em marketing de busca:

Em 2007 a receita do marketing de busca, segundo o SEMPO, foi de 12,2 bilhões de dólares e a previsão para 2011 está em 25,2 bilhões“. Na sequência, Rodrigo dá sua opinião sobre esse fenômeno: “Por ser uma mídia de fácil mensuração, de resultados (ROI) e custo relativamente mais baixo, acaba se tornando uma forma atraente de atrair consumidores para as empresas. As empresas precisam continuar a vender, porém preferem gastar menos e investir no que dá maior retorno. É aí que entra o marketing de busca“.

É, quem ainda não está investindo em conteúdo para internet, definitivamente está perdendo tempo.

Palestra na Jump Education

Na semana passada fiz uma apresentação dos casos de sucesso em mídia social da Trama Comunicação. Minha participação ilustrou os conceitos sobre Relações públicas 2.0  apresentados antes pela consultora em web Cátia Lassalvia.  Depois almoçamos com os principais executivos da Jump Education e a informação que tive é que a crise econômico tem levado muitos alunos para a instituição. São dois públicos principais: o primeiro de agências de publicidade off line e o outro das pessoas desempregadas que estão procurando se capacitar para entrar no mercado de trabalho.

No caso das agências de publicidade, não é muita novidade que as tradicionais que perderam as grandes receitas e lucros gerados a partir de anúncios tradicionais, estão tendo que rebolar. O que corre todo mercado, apesar de não existirem ainda dados ou casos concretos, é que as maiores empresas reduziram a verba total de publicidade e aumentaram o percentual a ser destinado à web. Então só restou aos profissionais correram atrás de capacitação para lidar com essa nova realidade. O principal desafio é encontrar metodologias e métricas para mensurar resultados de ações em mídias sociais.

Com tudo isso, acredito que o mercado tende a se profissionalizar ainda mais. Mas a briga vai ser feia entre as agências de relações públicas, marketing, publicidade e de web. Como trabalhar com mídia social e web, como afirmei no meu post anterior,  pressupões conhecer um pouco sobre cada uma dessas áreas e ir um pouco além, todos estão disputando quem vai abocanhar esse orçamento. Não sou a favor da briga, embora sempre puxe a sardinha para o lado das relações públicas. Creio que o que a gente precisa é unir esforços para combinar a multidisciplinaridade que essas iniciativas exigem. Mas como tenho um pé atrás com muitos profissionais de publicidade, acho difícil que isso aconteça como deveria.

Gestor de mídia social: uma nova profissão

Desde que comecei a fazer pós em comunicação hipermídia, há cerca de um ano, participo de conversas sobre o fato de a revolução da web ter gerado uma nova profissão: o gestor de mídias sociais. Com a ampliação da mídia produzida pelo próprio consumidor e a necessidade das empresas participarem das conversas dos seus clientes no mundo online, a carreira desponta como uma das mais promissoras. 

Para desenvolver esse trabalho com eficiência, esse profissional tem que conhecer um pouco sobre marketing, relações públicas, tecnologia, jornalismo online, técnicas de SEO (marketing de busca) e por aí vai. Não precisa ser expert, mas deve uma boa noção sobre cada um dessas áreas. Eu sinto isso na pele. Ao estudar para entrar de fato nesse segmento, senti muitas dificuldades, como não ter uma noção de HTML, por exemplo. Não preciso saber programar, mas tenho que ter uma idéia para poder solicitar um trabalho e gerir um projeto adequadamente.

O jornalista Rodrigo Afonso aborda esse tema em matéria da Revista ComputerWorld  desse mês. O salário não é ruim. Veja a tabela de remuneração que o Rodrigo incluiu na reportagem. A Tecnisa, caso de sucesso frequentemente citado quando o assunto é web 2.0 e uma das primeiras empresas brasileiras a criar um blog corporativo, foi também pioneira em ter um profissional cujo cargo é gestor de redes sociais. Quem desempenha essa função por lá é o Roberto Loureiro, um dos entrevistados da matéria.

Blogueiros têm que se profissionalizar?

Uma dos pontos polêmicos durante a palestra sobre publicidade nas mídias sociais na Campus Party foi a necessidade da profissionalização dos blogueiros. Marcelo Trípoli (iThink) comparou o trabalho de relacionamento com mídias sociais ao da assessoria de imprensa. “Nenhuma assessoria séria promete que o cliente sairá na capa da Veja. O trabalho com mídia social não é diferente. Criamos alguns indicadores de resultados, como audiência, tempo de conversão, etc, mas não podemos garantir que o resultado seja do jeito que o cliente espera”. Gustavo Fortes (Espalhe)

Lucas Mello, LiveAd, declarou: o “blogueiro não tem que ser profissional, mas a marca sim. Uma empresa tem que ser profissional o bastante para saber se o produto está maduro para o mercado ou se é preciso investir um pouco mais antes do lançamento. Tem que ser profissional para saber que os blogs podem falar bem ou mal dela.”

A minha opinião: o que garante o retorno dos blogs é justamente a espontaneidade desse espaço. O leitor de um blog acredita que uma pessoa comum está escrevendo a sua verdadeira opinião sobre o assunto. É isso que confere credibilidade e gera o boca-a-boca. As relações devem ser baseadas na informação e transparência. É uma realidade que os assessores de imprensa e relações públicas já vivenciam há muito tempo e os publicitários estão aprendendo a lidar.

Publicidade em mídias sociais

Postei esse texto ontem no blog da Trama e reproduzo aqui, no meu espaço:

Uma das discussões mais animadas de ontem no Campus Party foi sobre o uso das mídias sociais na publicidade. A maior dificuldade das agências hoje é pensar num modelo de negócios para uma mídia cujo retorno financeiro não é o mesmo. “Não existe uma receita fácil de lucro”, opinou Mentor Muniz Neto, da Bullet. Ele acrescentou que criar uma narrativa é fácil, o difícil é gerenciar a campanha quando existe um feedback negativo. “Quando isso acontece, os clientes mais tradicionais reagem mal e não querem mais repetir o investimento”.

Marcelo Trípoli, da iThink, também citou a falta da coragem das empresas brasileiras em aprovar o briefing depois que todos os riscos são colocados. “Antes de uma empresa entrar com mídia social tem que resolver primeiro seus problemas internos. Não adianta investir em ações desse tipo se a marca não tem cultura do dialogo, não tem uma política comercial transparente, não mantém uma comunicação direta básica por meio do SAC, ou seja, se a marca não ouve seu consumidor”, disse Trípoli.

Lucas Mello, da LiveAd acredita que tem muito mais cliente no Brasil disposto a investir em mídia social do que agências capacitadas a realizar um bom trabalho. Neto completou: “O nosso problema é que não fazemos ação pensando que pessoas podem falar mal. Estamos preparados para criar estratégia de sucesso. Precisamos saber que problemas não são acasos. Eles sempre vão existir e precisam estar previstos na estratégia”.
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Direto da Campus Party

Painel sobre publicidade em midias sociais era uma das mais animadas

Painel sobre publicidade em mídias sociais era uma das mais animadas

mais de quatro mil computadores num grande salão do Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo

Campus Party: mais de quatro mil computadores num grande salão do Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo

Ontem à tarde eu estive na segunda edição da Campus Party. É impressionante esse evento. Sabe a história de que a geração geek faz dez coisas ao mesmo tempo? O encontro, direcionado a esse público, é um exemplo real disso. São mais de quatro mil computadores, muitos deles “tunados”, e várias palestras realizadas simultaneamente num grande galpão do Centro de Convenções Imigrantes, em São Paulo. Enquanto assistem às palestras, muitos desenvolvem suas atividades de trabalho normalmente. Algumas vezes os sons se confundem, e todos estão lá se divertindo, trabalhando, dividindo conhecimento e aprendendo.

Acompanhei algumas palestras do “Campus Blog”, espaço dedicado a discussão colaboração como modelo de conhecimento na comunicação: “A construção da reputação, dos públicos e da moral blogueira”, “O uso de mídias sociais na publicidade” e “Mídias Sociais nas eleições”. As duas segundas atrairam muita gente. Vou gerar alguns posts específicos depois. Já publiquei alguma coisa no blog da Trama também.

Depois de assistir a esses três paineis, a conclusão que chego é que os profissionais que hoje lidam com mídia social, tanto na publicidade, marketing, relações públicas, ou seja, em qualquer área da comunicação ainda enfrentam o desafio de desenvolver um modelo de negócios apropriado. Outra questão importante é a árdua tarefa de convencer o cliente. Independentemente da área de atuação – indústria, serviços, governo, educação, ainda existe o receio receio de investir em uma mídia diferente e, de certa forma, incontrolável.

Abaixo, algumas fotos.